sábado, 21 de novembro de 2009

London Jazz Festival

Aconteceu entre os dias 13 e 22 de novembro o London Jazz Festival. Alguns dos convidados foram: Branford Marsalis (saxofonista norte-americano que tocava com Miles Davis, um dos músicos mais influentes do século XX), Giulia y los Tellarini (compositores da música Barcelona selecionada por Wood Allen para o filme Vicky Cristina Barcelona), Melody Gardot (cantora e compositora norte-americana), Trinity Jazz Orchestra (grupo de estudantes dos EUA reconhecidos pelo talento e dedicação à música), Madeleine Peyroux (cantora franco-americana famosa por suas habilidades vocais) e até Gilberto Gil (sempre pensei que ele fosse um cantor de MPB/reggae...). Alguns espetáculos eram de graça e o público era em geral de pessoas mais velhas. Fui aos shows da Trinity Jazz Orchestra e da Madeleine Peyroux (comprei este ingresso trinta minutos antes do show e paguei 10 pounds mais barato!), no SouthBank Centre (um Palácio das Artes gigante). A-do-rei!! Depois fomos numa feirinha de comida alemã em frente ao teatro, uma delícia!


Postei aquí embaixo um filmizinho que fiz da Trinity Orchestra:

video

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Choque cultural & homesickness


Nem tudo são flores... apesar dos posts super legais, morar em outro lugar tem seus espinhos. A sensação que tenho é que estou constantemente numa sala de espelhos e cada mínima atitude reflete quem eu sou. Aqui, vive-se experiências mais densas que colocam à prova a personalidade,a identidade, os objetivos, as escolhas. Quando me distanciei da rotina, dos amigos, da família, das paisagens habituais me vi fora da minha zona de conforto e comecei a introjetar o processo de mudança. Os dias de TPM e meu lado romântico só aumentaram meu sofrer.

Choque cultural é mais que sentir a diferença de fuso horário e saudade de casa (homesickness). Apesar de nem todo mundo passar pelas mesmas experiências, muitos especialistas no assunto concordam que existem 5 fases no processo de choque cultural, que formam um gráfico em U. E dependendo da situação pode haver mais de um ciclo!

Na primeira fase estamos empolgados com as novidades; até o clima diferente provoca sensações excitantes nunca sentidas. Algumas dificuldades como usar o telefone ou o transporte público (vide post Primeiros Passos)são superadas e você quer experimentar novas comidas e fazer contatos com pessoas. Em seguida, o desconhecimento dos códigos sociais te impedem de comunicar o quanto você deseja. Surge o sentimento de frustração e você se sente um idiota. Na terceira fase, você não tem mais impressões positivas da cultura que está inserido e acha que foi um erro ter feito esta viagem. VOcê se sente isolado e sua carência se reflete na necessidade de comer a comida de seu país. A quarta etapa se caracteriza pela rejeição da nova cultura e pela adoção de uma postura crítica e suspeita sobre tudo: as pessoas são chatas, o landlord está te passando pra trás, seu professor não gosta de você, a comida te faz mal, insônia, letargia, dores de cabeça e de estômago. Finalmente e ansiosamente chega-se ao último estágio. Agora já se domina a língua, já se conhece os costumes e o cotidiano,sua auto-confiança se desenvolveu. Você entende que não pode mudar o ambiente, deve aceitá-lo. As pessoas e as coisas deixam de ser erradas e se tornam apenas diferentes. Você também está diferente agora, provavelmente uma pessoa mais forte.

Weather


Ninguém sai de casa sem pesquisar o trajeto que vai fazer e a previsão do tempo. O http://uk.weather.com/ já está nos meus Favoritos. Como já é sabido, o clima de Londres não é dos melhores: vento frio, chuva, céu nublado. A chuva até que não molha muito porque os pingos são grandes e esparsos, mas incomoda. Os ventos, além de aumentarem a sensação de frio, destroem qualquer sombrinha que custe menos que 7 pounds. O céu nublado a gente gosta; nos faz lembrar que estamos aqui, em Londres!!!

Visto uma indumentária todos os dias. Além de calça jeans, bota e blusas de malha meus acessórios básicos são:
- meia-calça fio 80 ou de lã
- casaco de lã estilo trenchcoat
- luvas de couro
- chapéu/gorro
- cachecol
- sombrinha
- protetor labial

Aqui a gente vive experimentando choques térmicos. Do lado de fora aquele friozinho, do lado de dentro abafado. Quando chegamos em algum lugar fechado (casa, faculdade, bar, loja, supermercado) temos que tirar alguns ou todos os acessórios porque o aquecedor faz a gente suar. Estes choques térmicos provocam às vezes mal-estar e náuseas. Os ônibus/metrôs/trens são bem quentinhos, mas não são muito ventilados. Aprendi que é melhor ficar no fundão do ônibus para não correr o risco de sentar próximo a um velhinho fedorento. Sim, algumas pessoas aqui exalam um odor peculiar: uma mistura de roupa molhada e suja com suor. Os pums das pessoas são mais perceptíveis, já que o ar não circula nos lugares fechados. Tem dia que fico de saco cheio de pegar transporte público por causa destas coisas.

Eu cheguei no outono, quando ainda havia dias de sol, algumas árvores com folhas, pouca chuva. Agora é enfrentar o inverno que nem começou direito. Os dias estão bem curtos, com luz solar das 7:00 AM as 4:30 PM. O clima só vai começar a melhorar em abril. Aí é hora de ir para os parques! Não vejo a hora de tomar sol de biquini no Hampstead Heath! Mas isso já é assunto para outro post que ficará pronto só daqui a uns 5 meses...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Baladas !!







A primeira coisa é ter disposição. Pra ir pega-se no mínimo um metrô/trem e um ônibus e pra voltar só se pode contar com os ônibus noturnos que demoram a passar. E é bom sair la pelas 6:30 PM porque pouco depois da meia-noite os pubs fecham e só os clubs ficam abertos. A volta é legal : ver as figuras exóticas retornando pra casa, bêbados cochilando, fog e garoa nas ruas ... isso tudo te destrai durante o percurso de uma hora e meia até sua cama quentinha.


Até agora saí em pubs da Angel St, Brick Lane St e Soho. Quero muito sair à noite em Camdem Town mas ainda não rolou. Geralmente vamos pra casa de alguém (da Cris ou de algum amigo dela) e fazemos o esquenta com vinho. Outro dia, na Angel St, fomos para um restaurante turco antes de ir para um pub que era um corredor, onde as pessoas dançavam Michael Jackson entre o balcao de bebidas e uma parede de espelhos. As pessoas aqui bebem pra caralho! A Cris diz que nós saimos pra nos divertir e consequentemente ficamos bêbados e eles saem pra beber e a diversão fica pra segundo plano. Neste dia um rapaz de Cambridge me tirou pra dançar! Ficamos fazendo passinhos, algumas performances tímidas e paramos por aí.


Adoro a Brick Lane, uma mistura da Savassi de BH com a Rua Augusta de SP. Durante o dia vários brechós, alfaiatarias, lojas de CDs, cafés. Numa portinha você encontra a vendedora bordando um vestido, em outra vendem-se havaianas, mais na frente um topa-tudo kitsch. Durante a noite uma galera mais descolada pelos bares e clubs grafitados. Há uma rua cheia de indianos tentando de convencer a entrar nos restaurantes; morro de preguiça deles, mas acho que fazem parte daquela paisagem urbana. A galera lá geralmente anda bem high, e imagino que a noite de Camdem Town seja bem parecida.


Fui num bar/galeria de arte bem legal também. Fica dentro da London Bridge Station. Você entra numa porta de madeira e se envereda por galerias subterrâneas com bares, shows ao vivo, performances, teatro. Achei bem Londres: havia decoração gótica, música latina, bolhas de sabão gigantes, cheiro de lugar húmido.


Os bofes daqui são mais reservados. Não têm o mesmo approach que os brasileiros, que eu valorizo muito! São bem estilosos e se não estão bêbados vão ficar. Ainda não atinei muito para a questão bofes, mas minha impressão é a de que: os indianos são trabalhadores que querem se dar bem, os italianos e árabes te comem com os olhos e te fazem sentir mulher-objeto, os ingleses são ou muito fechados ou muito excêntricos. Sempre que tenho oportunidade converso horas, pergunto tudo, aquele meu jeitinho lady deb de ser. Na verdade ainda não conheci um homem interessante, que me fizesse querer dar aquele beijo gostoso. Mas ainda há oito longos meses pela frente e muita coisa vai acontecer nas noites londrinas!